Primeira edição voltada aos alunos do 6º ao 9º ano reforça habilidades como argumentação, liderança, pensamento crítico e trabalho colaborativo desde o início dos anos finais do Ensino Fundamental.



As simulações das Nações Unidas deixaram de ser uma experiência restrita ao Ensino Médio e passaram a integrar também a formação dos estudantes mais jovens. A primeira edição do MUNBricks Júnior, realizada pela Escola do Futuro Brasil para alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, marcou um novo momento na preparação dos estudantes para conferências acadêmicas, oferecendo uma vivência adaptada à faixa etária e focada no desenvolvimento de competências essenciais para o século XXI. A iniciativa amplia uma cultura já consolidada na instituição, que participa regularmente de simulações do Modelo das Nações Unidas (MUN), reconhecidas internacionalmente por estimular a formação de cidadãos críticos e preparados para os desafios globais.
Aprender a debater desde cedo
Durante as conferências, os estudantes assumem o papel de representantes de diferentes países, pesquisam temas atuais, defendem posicionamentos oficiais e negociam soluções para problemas internacionais. Para isso, precisam desenvolver habilidades de pesquisa, interpretação, argumentação e comunicação.
Segundo Pedro Bordon de Araujo, Professor de Tutoria Cristã e Conunselor, iniciar essa experiência já no 6º ano faz diferença na formação dos alunos. “O diferencial de começar a partir do 6º ano está na possibilidade de envolver os estudantes na dinâmica do evento desde cedo, permitindo que conheçam as regras e se ambientem com esse universo. Essa preparação contribui para uma participação cada vez mais qualificada nas futuras conferências.”
A preparação começa antes mesmo da abertura dos debates. Os participantes estudam os temas de seus comitês, pesquisam a posição oficial do país que representam, elaboram documentos e produzem discursos de abertura, aproximando-se do funcionamento das conferências internacionais.
Formação que vai além do conteúdo curricular
Embora a atividade envolva conhecimentos de História, Geografia e Atualidades, seus impactos ultrapassam o conteúdo acadêmico. A experiência fortalece competências previstas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como comunicação, pensamento crítico, trabalho colaborativo, responsabilidade e respeito à diversidade.
Para Barbara Giovanna Ortiz, professora de Geografia e Empreendedorismo e Inovação, o contato precoce com esse ambiente favorece uma aprendizagem contínua. “Quanto mais cedo os estudantes têm contato com práticas de argumentação, escuta ativa e trabalho colaborativo, mais naturalizadas essas habilidades se tornam ao longo da trajetória escolar. No MUNBricks Júnior, adaptamos toda a dinâmica para que os alunos participassem com segurança e construíssem, ano após ano, um repertório cada vez mais sofisticado.”
Além da oratória, os estudantes exercitam negociação, escrita formal, análise de informações confiáveis e construção de consensos, competências cada vez mais valorizadas no ambiente acadêmico e profissional.
Organização fortalece liderança dos alunos mais velhos
Outro diferencial do projeto é a participação ativa dos estudantes do Ensino Médio na organização da conferência. Eles atuam na coordenação dos comitês, condução dos debates e apoio aos participantes mais novos, assumindo responsabilidades que exigem liderança, planejamento e tomada de decisões.
Para Vitor Ferreira de Souza, professor de Matemática do High School, a iniciativa também representa uma importante formação para os organizadores. “Como esta foi a primeira edição do MUNBricks Jr., o principal desafio foi adaptar o modelo tradicional para os estudantes mais novos. Ao mesmo tempo, os organizadores tiveram a oportunidade de liderar equipes, dividir responsabilidades e adquirir uma experiência prática na gestão de um grande evento educacional.”
O estudante do 3º ano do Ensino Médio, Enzo Farisco Mascheroni, integrante da equipe organizadora, destaca que a criação do MUNBricks Júnior exigiu praticamente uma reconstrução do projeto para atender às necessidades dos alunos mais jovens, sem perder a essência das conferências do Modelo das Nações Unidas (MUN). Segundo ele, a equipe precisou adaptar procedimentos em tempo real, tomar decisões com autonomia e atuar de forma integrada durante toda a realização do evento.
Primeira experiência que deixa legado
Para os alunos do 6º ano, a estreia representou um desafio marcado pelo aprendizado e pelo desenvolvimento da confiança para falar em público.
A estudante Bella Leite Damasceno, de 11 anos, conta que representar um país diante dos colegas foi uma experiência diferente e enriquecedora. “A participação me ajudou a falar na frente dos colegas e desenvolveu muito minhas habilidades de comunicação, argumentação e trabalho em equipe. A experiência foi muito boa e acredito que nas próximas edições estarei ainda mais preparada.”
Os organizadores também observaram uma evolução significativa dos participantes ao longo dos três dias de conferência, especialmente na segurança para argumentar, no respeito às regras dos debates e na capacidade de construir soluções coletivas.
Mais do que preparar estudantes para futuras edições do MUNBricks, a iniciativa demonstra como metodologias ativas e experiências práticas podem contribuir para a formação de jovens capazes de pesquisar, dialogar, negociar e compreender diferentes perspectivas — competências cada vez mais importantes em uma sociedade conectada e globalizada.




