Evento da Escola do Futuro Brasil reuniu crianças de 2 a 7 anos em desafios esportivos, acadêmicos e artísticos, com participação das famílias e ação social.
Competir, aprender a lidar com desafios, reconhecer as habilidades dos colegas e descobrir que a solidariedade também pode representar uma vitória. Essas foram algumas das experiências vividas por crianças de 2 a 7 anos durante a Kids Student Convention 2026, realizada pela Escola do Futuro Brasil, em São Paulo. Com atividades esportivas, acadêmicas e artístico-musicais, o evento reuniu estudantes em quatro equipes e terminou com a participação das famílias nas competições.
A programação também incluiu atividades criativas, como o dia do cabelo divertido, da meia divertida e da mochila criativa, além de desafios que estimularam a convivência entre diferentes faixas etárias.
O tema desta edição, Belonging (pertencimento), orientou uma proposta que ultrapassou a disputa por pontos. O objetivo foi mostrar que cada criança pode contribuir para o grupo de diferentes maneiras, independentemente de suas habilidades ou limitações.
Equipes reúnem diferentes idades e valorizam habilidades
A Kids Convention envolveu estudantes do Nursery 2, a partir dos 2 anos, até o segundo ano do Ensino Fundamental. Distribuídas entre as equipes Water, Earth, Air e Fire, as crianças participaram de atividades que exigiram conhecimentos, criatividade, expressão artística e cooperação.
A formação dos grupos, com participantes de diferentes idades, também favoreceu a interação entre estudantes que nem sempre convivem diretamente na rotina escolar.
Segundo Marcus Vinícius Oliveira da Silva, professor de Educação Física da Escola do Futuro Brasil, essa organização permite que os estudantes mais velhos incentivem os menores, enquanto as crianças pequenas se sentem valorizadas por integrar equipes com colegas que admiram.
“Queremos que todos se sintam incluídos, valorizados e necessários. Que aprendam a torcer pelo colega, reconhecer o talento do outro e também por respeitar o ritmo e as necessidades de cada um”, explica.
A diversidade das atividades é outro componente da proposta. Uma criança que não se destaca no esporte pode contribuir decisivamente em um desafio acadêmico ou artístico. Dessa forma, o desempenho coletivo depende de habilidades diferentes e da participação de todos.
Competir também significa aprender a perder
As disputas esportivas foram organizadas prioritariamente em modalidades coletivas, como corrida de revezamento e queimada. A intenção foi estimular a cooperação e mostrar que o resultado depende do envolvimento de toda a equipe.
Para Marcus Vinícius, um dos aprendizados mais importantes é compreender a diferença entre adversário e inimigo. Afinal, os estudantes continuam sendo colegas e amigos, mesmo quando defendem equipes diferentes.
“Costumo destacar para as crianças que, se não existissem as outras três equipes, não haveria competição. Portanto, os adversários também são importantes e merecem respeito”, afirma.
O professor também destaca que as competições oferecem oportunidades para trabalhar a frustração. Nem sempre o esforço resulta em vitória, e aprender a enfrentar essa realidade desde a infância pode contribuir para o desenvolvimento emocional.
“Não há problema em ficar triste ou até chorar depois de resultados não esperados. Esses sentimentos fazem parte do processo de compreender e elaborar uma experiência frustrante”, observa.
No encerramento, realizado no sábado, a participação dos pais acrescentou outra dimensão à experiência. Ao competir ao lado dos filhos, os adultos compartilharam desafios e resultados, reforçando a aproximação entre família e escola.
O professor ressalta que esses momentos também permitem às crianças perceber que os pais não são infalíveis. Ver um adulto perder, tentar novamente e lidar com o resultado pode abrir espaço para conversas sobre perseverança, limites e confiança.
Solidariedade transforma arrecadação em desafio coletivo
Além das atividades recreativas e educativas, a Kids Student Convention 2026 incorporou uma iniciativa de solidariedade. Por meio da competição Natal Aviva, as equipes arrecadaram 1.469 itens destinados à montagem de cestas de Natal para famílias atendidas pela Associação Aviva.
A equipe Water arrecadou 462 unidades, seguida por Earth, com 357, Air, com 326, e Fire, com 324. A mobilização integrou a proposta de desenvolver o caráter atencioso, associado ao cuidado com as necessidades do próximo.
Para o professor da Escola do Futuro Brasil, a iniciativa amplia o significado da competição ao demonstrar que o esforço coletivo também pode beneficiar pessoas fora do ambiente escolar.
“Não se trata apenas de receber uma medalha ou vencer uma competição, mas de reconhecer que podemos compartilhar aquilo que recebemos e contribuir para melhorar a vida de outras pessoas”, destaca Marcus.
A ação também aproximou a experiência dos princípios cristãos trabalhados pela instituição, especialmente a valorização do próximo e a disposição para ajudar quem enfrenta dificuldades.
Ao reunir diferentes idades, habilidades, famílias e uma causa social, a Kids Convention mostrou como atividades escolares podem ir além do entretenimento. O aprendizado não ficou restrito aos resultados das disputas, mas envolveu a convivência, o reconhecimento das diferenças e a compreensão de que conquistas coletivas dependem da participação de cada pessoa.