Educação: como lidar com comportamentos cada vez mais desafiadores?

Cris Poli dá uma entrevista onde reafirma a importância da educação cristã e nos limites

Problemas modernos têm deixado as famílias confusas. A educadora Cris Poli dá suas orientações e é clara: “É preciso voltar às bases”

Se por um lado somos bombardeados o tempo todo por informações sobre como educar nossos filhos, por outro, a diversidade de pontos de vista sobre a educação pode nos tornar ainda mais confusos. A educadora Cris Poli atua na direção pedagógica do Ensino Fundamental na Escola do Futuro e conquistou o Brasil inteiro, há alguns anos, quando interpretou a Supernanny na TV aberta, personagem que ficou famosa por solucionar quadros críticos de crianças que – para muitas mães – “não tinham jeito”. O programa fez tanto sucesso que se tornou referência mundial. 

Nesta entrevista a coordenadora da EDF – Escola do Futuro Brasil orienta a “voltar às bases” e recuperar a firmeza e a autoridade em casa para resolver desde problemas simples como os mais complexos, em qualquer fase. 

O que você acha que os pais precisam ter em mente nesses tempos tão desafiadores?

Como pai ou mãe, eu preciso decidir o que eu quero passar como padrão de vida para o meu filho. Isso é uma coisa que eu falo muito nas palestras que eu dou: ensine ao seu filho o que é bom para a sua família. Seja claro e ajude-o a entender por que você escolheu esses valores. Mostre a base cristã, da palavra escrita há 2 mil anos (na Bíblia) e que funciona, que nos leva à frente. Precisamos ensinar pra essa criança o que nós consideramos estar certo. O mundo hoje tem o discurso de que o certo para você pode não ser certo pra mim. E tudo bem. Só que a criança fica confusa. É dessa forma que estão desconstruindo a família. Quando a família não tem referencial, não tem fundamento, aí temos uma série de confusões e problemas. 

Lá atrás, você disse que o problema está, muitas vezes, nos pais. Continua pensando assim? 
O problema está sempre nos pais, pois eles são os guias, o mapa. Não tem nada na palavra que me diga que vai melhorar. A previsão é só piorar mesmo. Muitos pais chegam aqui na EDF – Escola do Futuro Brasil desesperados, pois ensinamos valores cristãos. Por isso é importante voltarmos para as bases. Só a Palavra de Deus me diz quem eu sou de verdade. 

Qual a essência que falta na educação?

A essência é a construção desse caráter. Tem que ter a base, e não estou falando de religião, nem de igreja. Na Escola do Futuro ensinamos 60 traços de caráter de Cristo. E jamais, em 25 anos, teve um pai que falasse “não quero isso para meu filho”. Vêm pessoas de todas as religiões. É preciso fortalecer isso, pois Deus quer que a gente seja único. Eu posso ser generoso, comprometido, contente. Mas preciso aprender isso, não nasço com isso pronto. Naturalmente, eu não sou generosa, nem mansa. Nem comprometida. Mas Cristo pode me capacitar. 

Acha que a sociedade está mais intolerante e impaciente com as crianças?
Sim. O celular instala um procedimento mental, neurológico, que vai criando na pessoa a sensação de poder fazer o que quer, na hora que quiser: se eu não gosto, aperto um botãozinho e pronto. No passado tinha uma televisão em casa, colocava-se em um canal e todo mundo assistia. Se você queria trocar, você tinha que levantar e ir lá, apertar o botão, e todo mundo precisava concordar. Hoje não. Todos têm um celular e uma TV no seu quarto. Eu não sou ensinado a entrar em acordo com o outro para ver uma coisa que nós dois possamos assistir. Difícil juntar a família para ver um filme, não? O ser humano já está crescendo assim. Egoísta, mais do que naturalmente é. Por isso muitas pessoas estão preferindo ter cães em vez de filhos. O cachorro não interfere, eu posso fazer o que eu quero. 

Qual o melhor direcionamento para o uso de celular pelas crianças, aliás?

Até pouco tempo, os dois primeiros anos de vida eram zero tela. Hoje se fala que o ideal é até os 4 anos sem telas. A partir daí, uma meia hora de manhã, de tarde, controlada pelos pais. Só a partir dos 11, 12, que a gente pode liberar duas horas. O efeito é como o da droga, pois dispara a serotonina. Tem crianças, na educação infantil, que têm síndrome de abstinência quando os pais tiram o celular. O perigo está dentro da nossa casa. A criança não nasce com o celular na mão. Quem dá? O pai. É uma situação que o mundo está vivendo. Tendo conhecimento do que é certo, o que eu devo fazer? Eu me deixo levar com o mundo ou eu volto às bases? 

E quando ele se joga no chão em um lugar público?

Hoje um problema é que isso cai nos tribunais da rede social. Vai além de antigamente, quando nós mães éramos apenas criticadas por quem via a situação. Por isso, recomendo conversar, ser firme e amorosa, acolher seu filho e dizer que vocês vão para casa. Sim. Porque as pessoas não vão entender o que você está fazendo. Não estou sendo extremista, é isso que acontece hoje. 

Qual o caso mais grave que você já viu, quando era Supernanny?

Teve um caso de uma mãe, separada, com seus filhos gêmeos, terríveis. Essas crianças eram violentas, agressivas, sabe? Chegaram até me agredir quando eu entrei lá. Fui me aproximando deles, colocando limites e as crianças mudaram o comportamento totalmente. Amor e limites é uma receita boa, equilibrada. Não é o autoritarismo, é a autoridade que você exerce. Ser firme, sim, mas com amor, não o amor permissivo, é o que faz bem às crianças. 

Muitos pais vivem o dilema entre ser permissivo ou autoritário demais. Como encontrar o equilíbrio? 

O que a palavra de Deus fala? O pai e a mãe têm a autoridade para educar os filhos, porque quando você recebeu seu filho, Deus o confiou a você. Ele vai te pedir contas lá na frente. Autoridade não é autoritarismo. Você deve ser amigável, mas não amigo. Os amigos não são responsáveis pela educação dele. Amigos possuem outras funções. Pai educa. Perante Deus o pai é o que mostra o caminho para ele. É preciso mostrar que cada pessoa é responsável por suas ações, e que se ele decidiu não obedecer, vai ter uma consequência. Só as bases mesmo é que darão a sustância para não nos perdermos lá na frente. Precisamos ser firmes nos limites que impomos, afinal, se amamos nossos filhos, precisamos impor limites. 

Com adolescentes isso se torna quase uma guerra…

Nesse caso, sempre eles vão contestar. Seja firme, sem medo. Não é ser autoritário, é ser firme. A gente também foi adolescente, embora o mundo fosse diferente, não era digital. Só que a base que a gente tinha em casa era mais forte que o mundo lá fora. Eu não nasci em um lar cristão. Na Argentina, eu não tinha 18 anos e queria ir ao cinema ver um filme proibido para menores. Uma amiga falsificou a minha identidade e fomos ver o filme. Lembro que quando voltei pra casa, fui chorando direto para minha mãe e contei a ela o que eu tinha feito. Por quê? Porque a gente tinha sido criado nessa transparência, sabe? Que não precisava mentir. Porque se eu tava fazendo errado, meu pai ia corrigir, minha mãe ia corrigir. 

O que eu quero dizer é que os princípios da minha casa, apesar de eu não conhecer a Deus, foram mais fortes do que aquilo que eu fui levada a fazer. No confronto, ganhou o valor que tinha em casa. E eu creio nessa palavra: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. É muito forte. Temos que confiar na educação que damos em casa. Senão o inimigo vem pra falar que você perdeu tempo. Essa desconstrução vem de várias formas. Ou a gente vive a palavra ou a gente está brincando. 

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