Febre entre estudantes, coleção de figurinhas vira ferramenta de aprendizado sobre dinheiro, matemática e consumo consciente nas escolas
Com a Copa do Mundo de 2026 já em andamento, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México até 19 de julho, o tradicional álbum de figurinhas voltou a ganhar força entre crianças e adolescentes, movimentando o ambiente escolar e estimulando interações sociais. Em meio a esse cenário, a Escola do Futuro Brasil deu início a uma ação de conscientização ambiental ao se tornar ponto de arrecadação de liners, o verso das figurinhas adesivas, para reciclagem, com coleta aberta até o dia 26 de junho.
A iniciativa envolve estudantes de diferentes etapas de ensino e busca ampliar o olhar dos jovens sobre consumo e descarte responsável. Mais do que acompanhar a empolgação típica do período, a escola propõe uma reflexão sobre o impacto ambiental gerado por hábitos cotidianos.
“Queremos mostrar que até mesmo um hábito simples, como colecionar figurinhas, pode gerar reflexão sobre o descarte correto e o impacto ambiental. Pequenas atitudes podem gerar grandes transformações quando há consciência e participação coletiva”, afirma Ivonne Muniz, diretora da Escola do Futuro Brasil.
Sustentabilidade como ponto de partida educacional
A ação evidencia como fenômenos culturais podem ser utilizados como ferramentas pedagógicas. Ao integrar o álbum da Copa a uma campanha ambiental, a escola cria uma conexão direta entre o interesse dos alunos e práticas sustentáveis.
Os liners, muitas vezes descartados sem atenção, passam a ser reaproveitados por meio da reciclagem, incentivando a responsabilidade ambiental e a formação de hábitos mais conscientes desde cedo.
Matemática e raciocínio lógico na prática
Além da sustentabilidade, o álbum da Copa se destaca como uma ferramenta concreta de aprendizagem, especialmente na área da matemática. Segundo Chris Valasinavicius, coordenadora de Matemática da Escola do Futuro Brasil, a experiência vai muito além do entretenimento.
“Completar um álbum de figurinhas vai muito além da empolgação de encontrar aquela figurinha que faltava. Para crianças e adolescentes, essa prática pode se transformar em uma rica oportunidade de aprendizagem, pois aproxima a matemática e o raciocínio lógico de situações reais do cotidiano, ao mesmo tempo em que favorece planejamento, comunicação, negociação e consumo consciente”, explica.
De acordo com a educadora, o processo começa com a definição de um objetivo claro. “Desde o início, a criança estabelece uma meta: completar o álbum. Para isso, precisa observar os números das figurinhas que faltam, conferir as que já possui, separar as repetidas, fazer listas e pensar em estratégias. Nesse percurso, desenvolve contagem, comparação, atenção, memória, organização, estimativa e resolução de problemas de forma natural e motivadora”, afirma.
A dinâmica também introduz conceitos importantes de probabilidade e valor. “Ao perceber que algumas figurinhas aparecem com mais frequência e outras são mais difíceis de encontrar, a criança começa a compreender que nem todas têm o mesmo valor em uma troca. Isso estimula discernimento, argumentação e tomada de decisão”, completa Chris.
Educação financeira e tomada de decisão
Outro ponto destacado pela coordenadora é a relação com o uso do dinheiro. “Quando há um limite para comprar novos pacotes, a criança percebe que nem sempre a solução está em comprar mais. Ela pode trocar figurinhas repetidas, combinar com colegas e pensar em outras formas de completar o álbum”, explica a Coordenadora da Escola do Futuro Brasil.
Esse processo contribui diretamente para o desenvolvimento de planejamento, controle de gastos e consumo consciente, habilidades consideradas essenciais na formação dos jovens.
Convivência, família e aprendizagem no cotidiano
A participação da família também potencializa o aprendizado. “Muitas vezes, pais e familiares ajudam a conferir números, organizar listas e pensar estratégias de troca. Esses momentos fortalecem vínculos e mostram que a aprendizagem acontece também em situações simples do dia a dia”, afirma Chris.
Entre colegas, o álbum amplia as oportunidades de interação. As trocas e negociações incentivam comunicação, respeito a regras e tomada de decisões, além de ensinar a lidar com ganhos e perdas.
Chris também destaca o potencial das figurinhas repetidas. “Elas podem ser usadas em jogos, classificações e desafios, ampliando as possibilidades de aprendizagem. A criança organiza informações, desenvolve raciocínio lógico e percebe que um mesmo recurso pode ter diferentes usos”, diz.
Quando o consumo exige atenção
Apesar dos benefícios, os pais precisam estar atentos, pois o fenômeno também traz pontos de atenção. A vontade de completar o álbum rapidamente pode estimular o consumo excessivo, especialmente por conta da dinâmica dos pacotes fechados, que funcionam com recompensas aleatórias.
Esse modelo pode gerar ansiedade e levar a comportamentos impulsivos. Além disso, há o risco de exclusão social entre estudantes que não conseguem acompanhar o ritmo de compras.
Ao unir sustentabilidade, matemática, educação financeira e convivência, o álbum da Copa se consolida como uma ferramenta educativa relevante. O desafio está em equilibrar o entusiasmo com orientação, garantindo que a experiência contribua para a formação de jovens mais conscientes e preparados para lidar com escolhas no cotidiano.