Participação de jovens em ações sociais aproxima estudantes de diferentes realidades e estimula empatia, autonomia e responsabilidade para além da sala de aula
Participar de uma ação voluntária pode levar estudantes a aprendizados que dificilmente cabem apenas nos livros. Planejar atividades, arrecadar recursos, trabalhar em equipe e, principalmente, entrar em contato com pessoas que vivem realidades diferentes das suas são experiências que ajudam a desenvolver autonomia, empatia e responsabilidade social.
Foi o que vivenciaram alunos do projeto Ações do Futuro, da Escola do Futuro Brasil, durante o Aviva Leopoldina, mobilização social realizada na Zona Oeste de São Paulo. Como voluntários, os estudantes participaram de atividades voltadas ao atendimento da comunidade, entre elas oficinas de pintura em aquarela, escrita de cartas e produção artesanal de desodorantes.
Alunos participaram desde o planejamento
A atuação dos estudantes começou semanas antes do evento. Segundo Barbara Giovanna Ortiz, professora de Geografia e de Empreendedorismo e Inovação da Escola do Futuro Brasil, o grupo realizou reuniões de preparação e promoveu um lava-rápido para arrecadar recursos destinados à compra dos materiais utilizados nas atividades.
No dia do evento, os próprios jovens estiveram à frente das oficinas. A proposta acompanha a dinâmica do Ações do Futuro, projeto que procura colocar os estudantes no centro das iniciativas desenvolvidas.
“O Ações do Futuro é um grupo formado por alunos e buscamos delegar o máximo para que eles possam desenvolver protagonismo, responsabilidade e senso crítico”, explica Pedro Bordon de Araujo, professor de Tutoria Cristã e counselor da Escola do Futuro Brasil.
Segundo ele, embora exista acompanhamento da equipe escolar, tarefas como organização das escalas, divisão de funções e preparação das atividades ficam, em grande parte, sob responsabilidade dos estudantes.
Contato com outras realidades amplia o olhar
Mais do que executar tarefas, a experiência permitiu aos jovens estabelecer contato direto com pessoas em situação de vulnerabilidade social. Para Barbara, um dos aspectos mais marcantes foi justamente observar a maneira como os estudantes acolheram e orientaram quem procurava as oficinas.
“O que mais nos emocionou foi a dedicação e o carinho com que os alunos faziam o contato, atendiam e ensinavam o público”, afirma.
A professora destaca ainda que muitas das pessoas atendidas fazem parte do cotidiano do próprio bairro e podem cruzar diariamente o caminho dos estudantes sem que exista uma aproximação. O voluntariado cria uma oportunidade para que esse olhar mude.
Pedro Bordon também ressalta esse impacto. Para ele, a experiência possibilita perceber realidades que estão geograficamente próximas, mas que muitas vezes permanecem distantes da rotina dos jovens. A interação com adultos e crianças durante as atividades, segundo o educador, tornou esse contato ainda mais significativo.
Entre as iniciativas realizadas, a oficina de produção artesanal de desodorantes teve grande procura e permaneceu movimentada durante todo o evento.
Experiência ajuda a desenvolver empatia e protagonismo
A participação em projetos sociais pode ganhar uma dimensão educacional quando o estudante deixa de ser apenas espectador e passa a assumir responsabilidades concretas.
“Quando eles se envolvem desde o planejamento até a execução, quando arrecadam o dinheiro, compram o material e ensinam a oficina com as próprias mãos, eles deixam de ouvir falar sobre solidariedade e passam a vivê-la”, afirma Barbara.
Para Daniel Beltrão Alves, pastor da YAH Church e coordenador de projetos sociais, a presença de estudantes também beneficia as próprias iniciativas comunitárias. Segundo ele, os jovens levam conhecimento, disposição e novas possibilidades de interação com o público atendido.
“É uma relação de ganha-ganha”, afirma. Para Daniel, a escola amplia a formação dos estudantes por meio de uma atividade extracurricular, os organizadores recebem a contribuição dos jovens e, principalmente, a comunidade é beneficiada pelas ações desenvolvidas.
O Aviva Leopoldina reúne serviços e iniciativas destinados a diferentes necessidades da população, incluindo áreas como saúde e empregabilidade, com participação de organizações do terceiro setor e de serviços públicos.
Ao colocar adolescentes diante dessas diferentes realidades, o voluntariado pode contribuir para uma formação que ultrapassa o conteúdo acadêmico. A experiência prática permite compreender que solidariedade, cidadania e responsabilidade social não são apenas conceitos: também se constroem no contato com o outro e na disposição de participar de soluções para necessidades que estão presentes na própria comunidade.